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25 HORAS DE INTERLAGOS DE 1975 - TEMPO DE DESPEDIDAS Por Carlos de Paula Só um mentiroso, ou
completo desconhecedor de automobilismo diria que corridas de 24 horas são um
prato cheio para o público. Algumas exceções vêm à mente. Nesse ano de
2007, por exemplo, três carros estavam na mesma volta no final das 24 Horas de
Daytona, com possibilidades viáveis de vitória. Em Le Mans, 1969, Jacky Ickx e
Hans Hermann passaram a última hora duelando, e Ickx se saiu melhor, mas por
muito pouco. Mas na maior parte das corridas de 24 Horas a identidade do
vencedor é sabida umas boas horas antes do final, salvo por quebra, como a
dolorosa falha mecânica de Pierre Levegh em Le Mans em 1952, após estar
na liderança e pilotando sozinho há 23 horas 3 meia. Tecnicamente não
estamos falando de uma corrida de 24 Horas aqui, e sim, uma de 25 Horas. A única
do mundo, diga-se de passagem. Que me consta, nunca nenhum outro país realizou
uma prova de 25 Horas,
só o Brasil. De fato, nos três anos em que ocorreu, esta era a corrida de autódromo
mais longa duração do mundo, já que as 84 Horas de Nurburgring não
mais existiam. Não sei se esta era a idéia dos seus criadores, mas de fato as
“25 Horas” tinham o título de corrida mais longa do mundo, durante o triênio
em que foram disputadas. Depois o governo cancelou as corridas de longa distância,
e nunca mais foi realizada esta prova. Normalmente as 25 Horas
tinham um bom número de inscritos, visto que era uma prova de Divisão
1. Esta também teve um grid rico em número e qualidade, com bons pilotos
provenientes de diversas áreas do Brasil. Mas, em matéria de diversidade,
estava mais pobre. Na Classe C, Maverick
e Opalas, e um único Dodge;
na “A’, só dava Passat e Chevette
e um único Fusca. Nada de
Classe B. Havia muitos pilotos de
categoria: Antonio Carlos
Prado, de volta da Europa, dividia um Opala com Ricardo Oliveira e Antonio
Cláudio Tarla; Lian Duarte, Jan
Balder e Edgard Melo Filho largaram em outro Opala; Edson Graczyk, Celso
Frare e o gaúcho Marcos Tedesco
também de Opala, da equipe Bamerindus; Chiquinho
Lameirão faria rara aparição na categoria, dividindo um Opala com os também
veteranos Totó Porto e Afonso Giaffone. E diversos outros medalhões do
automobilismo nacional estavam presentes: Jayme
Silva, Walter Barchi, Fernando “Toco” Martins, Aloysio Andrade Filho, Arthur
Bragantini, Antonio Carlos Avallone, Reynaldo Campelo, Carlos Eduardo
Andrade, Ney Faustini, Newton Pereira, além do pessoal da classe A, Francisco
Artigas, Luis André Ferreira, Otto Carvalhaes, Eduardo Doria, Atilla Sipos,
Luiz Otavio Paternostro. Mas, surpreendente para
uma corrida assim longa, a 25 Horas de 1975 seria em grande parte uma corrida
entre dois carros, um Maverick, e um Opala. Justamente os dois carros com os
melhores pilotos. O Maverick 22 da Equipe Mercantil Finasa Ford alinharia com Jose
Carlos Pace e Paulo Gomes,
ambos campeões brasileiros da categoria naquele, com Bob
Sharp de lambuja. A Equipe Itacolomy teria no Opala número 1 Alex
Dias Ribeiro, Ingo
Hoffmann e Alfredo Guaraná
Menezes. Do começo até o fim, a corrida foi de um dos dois carros, embora
o segundo Maverick da Mercantil Finasa, e os Opalas de Edgard Mello Filho e dos paranaenses
Frare/Graczyk tenham se intrometido durante a fase inicial.
O Maverick 22, o favorito. Uma hora parecia que o
Ford ia ganhar, de repente parecia que o Chevrolet levaria o caneco.
Aqui o Opala no. 1 estava bonito. Chegou as frangalhos no final da prova. A corrida começou com
uma hora de atraso, a la antigas corridas de Salvador. Entretanto, havia uma causa para o atraso, uma
impiedosa chuva que se debatia sobre a capital de São Paulo naquele sábado.
No começo, Paulo Gomes impôs um ritmo forte na pista molhada, até
mesmo imprudente, após largar em terceiro. O pole havia sido Walter
“Tucano” Barchi, conhecido piloto de motocicletas que fizera com sucesso a
transição para as quatro rodas e fazia dupla com dois pilotos que dez anos
antes haviam sido ex-colegas na Simca,
Jayme Silva e Toco. Paulão sentou
a pua, e já tinha 11 segundos de diferença, após meras quatro voltas. Após o
primeiro reabastecimento, uma breve luta com o Opala da Bamerindus, que chegou a
tomar a ponta mas seria o primeiro abandono dos carros na Classe C. O Opala da Itacolomy
logo se transformou no maior, melhor dizendo, único adversário do Ford 22, que
continuava na liderança, até que Alfredo Guaraná Menezes deu uma espetacular
capotada na curva da Ferradura na metade da corrida. O carro ficou
obviamente com a carroceria danificada, mas em condições de seguir, e fez com
que os três jovens pilotos perdessem 3 voltas para a equipe veterana. As coisas começaram a
ficar mais interessantes justo nas duas últimas horas de corrida, geralmente
quando o interesse dá lugar meramente à vontade de que tudo termine logo. O
Ford continuou a administrar sua diferença de 3 voltas para o carro da
Itacolomy, até que simplesmente parou com defeito na bomba de gasolina,
novamente na Curva da Ferradura, que estava ferrando todo mundo
naquela corrida. Bob Sharp ainda conseguiu levar o carro de volta aos boxes, mas
agora era a vez da Mercantil Finasa perder três voltas. O gabola Opala n°
1 tomou a liderança, pilotado por Ingo Hoffmann, que passou a ser caçado por
Pace. A chuva voltara a Interlagos, e a diferença do Chevrolet para o Ford era
de 1 minuto, ou seja, pouco mais de um quarto de volta no ritmo daquela altura.
Ingo se viu forçado a parar para reabastecimento e troca de piloto, e em seu
lugar entrou Alex. O pitstop, que deveria demorar 30 segundos, acabou se
tornando em mais um dos épicos desastres boxelógicos de Interlagos, pois um
defeito no cinto de segurança causou um atraso que consumiu toda vantagem
adquirida pelo n°
1. Assim, Pace retomou a ponta. Alex finalmente conseguiu sair do boxe, ao calço
de Pace, e a Itacolomy ainda tinha esperanças de descontar a diferença e
ultrapassar na pista. Daí, outra tragédia para o Ford: a bomba de gasolina deu
pau novamente, e Pace voltou aos boxes. Justo quando os torcedores GM começavam
a comemorar, Alex bateu o Opala com força na curva do Sargento!!!! Apesar da
segunda pancada do dia, o Opala voltou à competição atrás do Ford, caindo
aos pedaços. Daí por diante, Pace conseguiu administrar o resultado, sem
nenhuma surpresa adicional, chegando somente uma volta à frente de Alex. Na
classe A, Francisco Artigas, Luiz André Ferreira e Pedro Ferreira
conseguiram completar 331 voltas, ganhando a classe e chegando em 8° lugar na geral, com um Passat, uma excelente performance, relativa, porém
menos voltas do que Chevette vencedor da classe em 1973.
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