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RICARDO
ACHCAR CHEGA VENCENDO NA INGLATERRA Por Carlos de Paula Um dos resultados mais
nefastos da briga entre o ACB e a CBA, no início dos anos 60, é que uma licença
de competição brasileira passou a valer quase nada no exterior. Isso
obviamente criou empecilhos para que o automobilismo brasileiro se desenvolvesse,
e nossos pilotos pudessem se aventurar fora do País. Quase todas estórias de
excursões externas eram tidas como
piadas ou loucura, e para os brasileiros, exterior passou a significar
exclusivamente Argentina e Uruguai. Fim de papo. Por outro lado, o
automobilismo brasileiro tinha vínculos históricos com a França e Itália, e
o pólo do automobilismo mudara para a Inglaterra de uma forma muito forte e
taxativa. Isso ficou claro quando Wilson
Fittipaldi Junior tentou “fazer a Europa” em 1966, fixando residência
na Suíça e tentando trabalhar os seus contatos com a Renault. A experiência
acabou em fracasso. Disputou somente a “Coupe de Vitesse” em Reims, e não
conseguiu classificação com seu Pygmee, marcando somente 2’52.1”, tempo
bem inferior ao primeiro piloto da “ecurie”, Patrick Dal Bo. Desencorajado,
voltou ao Brasil. O carioca Ricardo
Achcar fora convidado por um amigo, Ricardo Barley, para viajar à Inglaterra.
Entre outras coisas, os dois Ricardos tentariam forjar algum tipo de aliança
comercial ou acordo de representação com empresas inglesas especializadas em
automobilismo, vínculo que não existia no Brasil. Chegando no país,
Achcar acabou conhecendo Jim Hill, que havia sido diretor do Departamento de
Competições da Castrol. Naquela época em que estava começando o patrocínio
comercial na Europa, as fábricas de combustíveis, lubrificantes e pneus eram
os principais parceiros “comerciais” dos pilotos. E Hill tinha bastante
experiência em ajudar pilotos novatos, embora Achcar fosse o primeiro
brasileiro atendido. A
licença de competição inglesa de Ricardo Achcar (fonte AE) Conversa vem, conversa
vai, Jim resolveu ajudar Achcar, que diga-se de passagem, não era novato, já
tinha mais de dez anos de experiência. Isso podia facilitar as coisas. Tanto
que ao se inscrever numa escola de pilotagem em Londres, bastou para Ricardo
completar 35 voltas, para que o pessoal visse que ele era do “metier”. Tudo
isso era necessário por que Achcar precisaria de uma licença inglesa para
competir, a brasileira valia tanto quanto o tratado das Tordesilhas. Para receber o papel,
Ricardo foi submetido a um rigoroso teste, ministrado por Peter Arundell,
ex-piloto da Lotus somente dois anos antes. Nesse teste, Arundell faria
algumas voltas na pista, seguido por Achcar, cujas voltas deveriam ficar no máximo
a 2 segundos do tempo de Arundell. Achcar tirou de letra, impressionando o ex-sparring
partner de Jim Clark. Achcar e seu Merlyn Com jeitinho brasileiro,
e ajudado por Hill, Achcar conseguiu uma licença internacional do Royal
Automobile Club, para correr em uma corrida internacional de Fórmula Ford.
Uma vez vencido este obstáculo, Ricardo foi à busca de um carro. A Merlyn não
quis saber de contratá-lo como piloto de fábrica, mas indicou um piloto inglês
que acabara de comprar um carro e parecia estar na mais perfeita pindaíba.
Achcar acabou alugando o carrinho do britânico, comprando o motor por meros 600
dólares e concordando em pagar o seguro. A corrida em Oulton Park fora um sucesso. Sim, foi uma humilde e curta prova de Fórmula Ford, mas seu significado foi imenso. Achcar marcou a pole position, perdeu algumas posições na largada, mas conseguiu se recuperar, ganhando a prova. De quebra, ganhou um prêmio de 75 libras, mas acima de tudo, mostrou o novo caminho a ser seguido pelos brasileiros. Chega de Itália e França. O negócio agora era Inglaterra. |
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