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UM NOVO ASTRO NASCE EM CURITIBA...

Por Carlos de Paula

 

A Autozoom era uma pequena oficina, situada na Rua Vitorino Carmilo, em São Paulo. Apesar de pequena, ambiciosa, pois participava do automobilismo com certa freqüência, sem obter grandes resultados, é verdade. Preparava um belo fusca vermelho, que corria no Campeonato Brasileiro de Viaturas Turismo, na Classe A.

 

A concorrência da Classe A era acirrada. Em 1973 o preparo de motores VW atingira um nível muito alto, e os fuscas mais rápidos freqüentemente deixavam Opalas e FNMs a ver navios. Entre outros pilotos que disputavam o campeonato de 1973 estavam Julio Caio de Azevedo Marques, Alex Dias Ribeiro, Mauricio Chulam, Edson Yoshikuma, Mario Pati Junior, Amandio Ferreira, Fausto Dabbur e Alfredo Guaraná Menezes. A partir da segunda etapa,  um estreante, Alfredo Menezes de Mattos, pilotaria um dos carros da Autozoom. O outro era pilotado por Guaraná. Alfredo Menezes de Mattos disputara as corridas para estreantes e novatos em 1972 e fora promovido para piloto de competição em 1973.

 

A segunda etapa do campeonato de 1973 seria realizada em Curitiba, a primeira vez que o circuito era usado neste campeonato. Um número surpreendente de carros foi inscrito: 43, para uma pista curta que só comportava 25 carros. Até a classe B, que geralmente minguava, tinha seis carros, entre os quais o Opala 2500 do veterano gaúcho Jose Asmuz.

 

Assim decidiu-se fazer duas corridas: uma para os 26 carros da Classe A, e outras com os 17 carros das classes B e C. Dessa forma todo mundo ficaria contente, afinal de contas, muitos pilotos vieram de outros estados, com forte contingente de São Paulo, e alguns pilotos do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

 

O pole position da Classe A foi Julio Caio, que pilotava o Fusca da Equipe Hollywood. Marcara o tempo de 1m45,78s, nada mal se comparado com a pole da classe C, de Pedro Victor (1m39,57s). De fato, o tempo de Julio Caio foi o 5° mais rápido, ficando na frente até de Luis Pereira Bueno. Julio Caio foi seguido de Edson Yoshikuma, da Equipe Gledson Amador, Alfredo Guaraná Menezes, Jose Chemin, Ney Faustini e Sebastião Sá Carvalho. Diversos paranaenses participavam, entre os quais Emilio Pederneiras, Edy Bianchini, e Antonio Muffato Sobrinho. O rápido gaúcho Fernando Sbroglio foi mal nos treinos e só marcou o 19° tempo. Mas ainda assim, ficou na frente de Alfredo Menezes de Mattos, que não marcou tempo, e largaria na 25a. posição.

 

As corridas teriam 1 hora cada, em vez de ser programadas por número de voltas. Na primeira corrida do ano, em Tarumã, houve zebra e o desconhecido catarinense Roberto Alves ganhara na Classe C, mas na geral, quem levou foi Fausto Dabbur com um Fusca da Classe A. A primeira vez que os Fuscas batiam os Opalas na geral. Em Curitiba não haveria esta possibilidade, pois os carros correriam em provas diferentes. Nada de zebras no Paraná!

 

Alfredo Menezes de Mattos: a alegria durou pouco

A prova da Classe A foi bastante disputada, como geralmente era a categoria “A”. Infelizmente, o pole position Julio Caio abandonou com seu Fusca bem preparado após 6 voltas, deixando o caminho livre para os outros favoritos, entre os quais, Guaraná, Yoshikuma e Fausto Dabbur. E estes foram se atrasando, um após o outro. Quando foi dada a bandeirada, com 1h00m15,84s, o vitorioso foi o estreante Alfredo Menezes de Mattos, que completara 33 voltas. Um início auspicioso para uma provável carreira brilhante. Sim, pois na corrida das Classes B e C, o também estreante Nelson Silva só conseguira completar 32 voltas! A zebra estava comendo solta na Divisão 3. Se todo mundo estivesse junto na pista, o VW teria batido o Opala novamente. Alfredo voltou exultante para São Paulo, onde seria realizada a próxima etapa do campeonato.

 

A etapa de 22 de julho, em pleno inverno paulista, também contou com muitos inscritos, de fato, havia carros demais para a pista de Interlagos que só podia abrigar 50 carros. Como alguns não tinham condições de largar, sobraram 49 carros. Os Opala marcaram os 6 melhores tempos, seguidos de um certo Ingo Otto Hoffmann (3m34,054s), que também estreava como piloto de competição naquele ano, tendo Alfredo Menezes de Mattos marcado o segundo tempo na categoria (3m35.080s), batendo seu companheiro de equipe, o outro Alfredo, o Guaraná, por meros 0,010s). Mais próximo do que isso, impossível.

 

Na largada da primeira bateria, um único carro ficou parado: Alfredo Menezes de Mattos. Depois de alguns empurrões o carro engrenou, mas não sua carreira. Na corrida, Ingo Hoffmann ganhou a sua primeira prova como piloto de competições, iniciando uma carreira brilhante que dura até hoje. E Alfredo Menezes de Mattos ficou como mera nota de rodapé nos anais do automobilismo brasileiro. Rei morto, rei posto. Tão rápido.

 

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Last modified: March 28, 2007