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CHEVETTE: O COMEÇO E A
PRIMEIRA VITÓRIA Por Carlos de Paula Em 1973 a Classe A da
Divisão 3 era completamente dominada pelo Fusca,
entre outras coisas por que não existiam concorrentes naquele classe. Que fazer,
não havia nenhum outro carro produzido no Brasil daquela época, que não fosse
o Fusca, com menos de 2 litros de capacidade. Como mudam os tempos. Bem, o Chevette fora lançado
pela General Motors em 1973, com bastante estardalhaço, finalmente um carro
para concorrer com o Fusca dentro e fora das pistas, e ainda por cima, com
concepção e mecânica modernas. Isto tudo na teoria, obviamente. O grande problema com
teorias é que elas são freqüentemente provadas erradas. Convenhamos, preparar
e inscrever Chevettes na corrida de Divisão 3 de 22 de julho, alguns meses após
o lançamento do carro, foi um pouco precipitado. E não só um, mas dois
Chevettes foram inscritos naquela corrida. Um deles, inscrito pela
Equipe Eletroradiobraz, que também preparava o carro de Pedro
Victor de Lamare, papão das corridas turismo da época. O outro, inscrito
por Newton Pereira, da Equipe VXP-Vicsa. Newton era um dos pilotos mais
entusiasmados do automobilismo da época. Participava das corridas de Divisão,
4, na Fórmula Ford, na
emergente Divisão 1, e
resolvera entrar na Divisão 3. De fato, em 1973
participou de 20 corridas de campeonatos brasileiros, número notável, se
considerarmos que foram realizadas ao todo 22! Pouco se fez nos carros.
Taxa de compressão aumentada, pneus de competição de tala larga, radiador de
óleo, dois carburadores duplos, cabeçote polido e coletor de escapamento de
competição. Os resultados não foram dos melhores. Newton marcou somente
4m01,163s, e alinharia na 35a. posição, ao passo que Jayme Levy nem marcou
tempo. Largaria só porque havia 5 carros sem a mínima condição de participar.
Newton
Pereira estava literalmente em todas em 1973 Na corrida, nada de
especial. Newton Pereira conseguiu fazer 13 das dezoito voltas, e foi
classificado 13o. na classe A. Era um começo e palmas aos dois pioneiros, que
se danem os supersticiosos. No fim do ano, o Chevette de Newton já estava mais
competitivo, terminando a última corrida em terceiro
lugar na classe, ao passo que Jayme, a Eletroradiobraz e seu Chevette
desapareceram depois de 1973. Tarumã,
1975. 31 de agosto. Era a
quinta e penúltima etapa do campeonato Brasileiro de Divisão 3. Os dias de
grids cheios na Divisão 3 se foram. Na realidade, até mesmo preparar um Fusca
na categoria ficava mais caro do que preparar um Fórmula
Super-Vê, que tinha cobertura televisiva e na mídia impressa, forte apoio
da VW e o glamour dos monopostos.
Para que jogar dinheiro fora? Mas ainda havia um número razoável de carros na
classe A e muitos eram competitivos para fazer um bom espetáculo: Amadeo
Campos, Vital Machado, Vitor Motin, Arturo Fernandes, Jose Fusetti, Mauricio
Rosemberg, Álvaro Torres Jr, Voltaire Moog, todos eles alinhavam Fuscas. Entre
estes, havia dois Chevettes, um do gaúcho
Ronaldo Ely, e o outro do paranaense
Edson Graczyck. Graczyk fazia parte de
uma equipe chamada Bamerindus, patrocinada por este banco paranaense, cuja
participação no Campeonato Brasileiro de Divisão 1 era destacada. A equipe se
especializava em veículos Chevrolet, portanto, corria com Opala
na Divisão 1, e Opala e Chevette na Divisão 3. Nessa corrida, Carlos Eduardo
Andrade corria com o Opala da equipe na classe C. A corrida poderia ter
decidido os dois títulos, mas a decisão acabou adiada para Interlagos.
Amadeo Campos e Vital Machado correram bem, mas não chegaram perto da vitória
da Classe A em Tarumã. De fato, a coisa ficou entre Vitor Motin e Edson Graczyk.
O primeiro, provavelmente influenciado pelo próprio nome, que sugeria vitória,
não acreditou que o Chevette tivesse condições de chegar na sua frente, ou
então esperava que Graczyk, conhecido pelo arrojo da sua pilotagem, fizesse um
erro e abandonasse. No fim das contas, o Chevette prevaleceu e ganhou a sua
primeira vitória na Divisão 3, assim como a primeira vitória de um piloto
paranaense na categoria. Notável foi o fato de Graczyk ter chegado na frente de
todos os Opalas na prova, com quase o triplo de cilindrada, só ficando atrás
do Maverick de Paulo
Gomes, este sim, impossível de bater.
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