|
brazilyellowpages.com
|
|
|
AMEDEO
FERRI - VITÓRIA CONTRA A MARÉ Por Carlos de Paula Uma coisa não se podia
dizer de Amedeo Ferri, que era supersticioso. O piloto nascido na Itália,
radicado no Brasil há vinte anos, mais precisamente no Rio
Grande do Sul, há muito tempo usava sem nenhuma hesitação o número treze,
exposto em evidência no seu Bino de Fórmula
Ford de carroceria de linhas retilíneas. E em 1978 finalmente provou que a
tal superstição em volta do número treze é uma grande besteira: fora campeão
brasileiro de Fórmula Ford, apesar dos pesares Naquele ano Amedeo era
de longe o mais antigo veterano da categoria, participando das provas há sete
anos - muitos dos seus concorrentes eram crianças quando ele iniciara na
categoria. No começo das suas
atividades na Fórmula Ford, pouco podia fazer contra equipes bem estruturadas
como a Hollywood, Shelton,
Motoradio, Brahma e Telefunken, portanto só lhe bastava competir. Entretanto,
com o aumento de prestígio da Fórmula
Super-Vê, as grandes equipes e nomes do automobilismo migraram para esta última
categoria, deixando o campo livre para concorrentes como Amedeo, com esquemas
mais simples, brilharem. Pois o esquema do gaúcho era assaz simples: ele, ele
mais ele, com alguma ajuda da esposa Elza. Ele preparava e montava o carro, ele
guiava o velho ônibus em que o transportava para as corridas, ele consertava e
ele pilotava nos domingos. O ano começara bem para
Amedeo, que ganhou as duas primeiras corridas do ano, inclusive uma raçuda e
memorável performance na segunda prova do ano, em Cascavel.
Largou em 24°
na final, após ter severos problemas nos treinos e na bateria eliminatória, e
com muita combatividade bateu todos os concorrentes, que incluíam Maurizio
Sandro Sala, Fernando Dias Ribeiro, Alexandre Negrão e os locais Valdir
Favarin e Tamoio Fedumenti, este último notável por ter ganho uma corrida com
um Aero Willys contra diversos Simcas nos anos 60. Já na primeira volta da
final passou em 12°, assumindo a ponta ao ultrapassar o jovem Fernando Dias Ribeiro na 11a.
volta das 13 voltas da final. A corrida fora uma grande dor de cabeça para
Ferri. A caixa de satélites do seu diferencial quebrou e ele teve que adaptar
uma peça para largar na eliminatória. Depois, nessa bateria teve um acidente
com Jaime Figueiredo, amassando
o bico do carro e furando o radiador. Ainda assim concluiu a bateria com quatro
voltas de atraso, após fazer reparos às pressas nos boxes - por conta própria,
lógico. Chegando no Rio
de Janeiro, Amedeo era o franco favorito para ganhar o título. Entretanto,
o piloto estava extremamente desgastado com a sua realidade esportiva. Ser “one
man show” não é fácil, principalmente quando a saúde não está bem.
Na longa viagem do Rio Grande para o de Janeiro, Amedeo ficou doente, com muita
desidratação, e chegando na Cidade Maravilhosa estava caindo aos pedaços, com
febre de quarenta graus. Assim que naquele que
poderia ser o fim de semana mais feliz da carreira do piloto,
Amedeo estava nervoso, indisposto, vomitando, sem energia, e
completamente atípico. Acostumado com boas posições no grid, Amedeo só
marcou o 11°
tempo nesta quinta etapa do Campeonato Brasileiro de Fórmula Ford. O único
piloto que poderia ameaçar o título de Amedeo era Maurizio
Sandro Sala: tinha treze pontos ao chegar no Rio, e se ganhasse as duas últimas
corridas, sem que Amedeo pontuasse, Maurizio ganharia o título por um pontinho.
Amedeo Ferri: sem superstição Na corrida, Amedeo
chegou a ocupar a quinta posição, mas acabou sendo fechado pelo seu desafeto Jaime
Figueiredo, e caiu para o oitavo lugar. Na frente, as coisas estavam
favorecendo o ítalo-brasileiro: Fernando Dias Ribeiro, irmão de Alex,
que mostrava bastante velocidade desde o começo do ano, de fato, perdera a
corrida de Cascavel para Ferri, mas não conseguira ganhar nenhuma prova,
liderava a prova à frente de Sala. No final da corrida das 20 voltas, Fernando
conseguiu a sua primeira vitória, à frente de Sala, que assim, perdia a sua
oportunidade de ganhar o título. Quanto a Ferri, chegou em sétimo e ganhou o título
por antecipação. No final, um desabafo.
Ferri estava cansado do seu esquema, e dizia que iria abandonar a categoria se não
conseguisse uma estrutura mais profissional, como a dos seus concorrentes. Entre
outras coisas, o combativo piloto estava cansado da politicagem tão típica das
corridas brasileiras: nessa mesma prova, Maurizio reclamou do carro de Fernando,
que após a vistoria foi considerado dentro do regulamento. Amedeo mesmo já
fora alvo de diversas disputas similares fora da pista. Além disso, sem dúvida
Jaime Figueiredo não estava na sua lista de pessoas prediletas.
|
|
Send mail to carlosdepaula@mindspring.com
with
questions or comments about this web site.
|