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Lembre-se sempre de dizer que viu na Brazilian Yellow Pages. A
TEMPORADA DE 1972 DE JOSE CARLOS PACE: MUITA LUTA E DIVERSIDADE Por
Carlos de Paula Não
precisa ser muito conhecedor do automobilismo para saber que 1972 foi o ano da consagração
de Emerson Fittipaldi, quando ganhou cinco grande prêmios, outras quatro
corridas de Fórmula 1 e o título mundial, o primeiro dos oito ganhos por
brasileiros. No mesmo ano, um outro brasileiro que muitos consideram tão
talentoso do que Emerson, lutava para se firmar na Europa: era José Carlos
“Moco” Pace. O
sucesso de Emerson Fittipaldi dependeu do seu talento, mas também de uma boa
dose de “estar no lugar certo, na hora certa”. Pace, por outro lado, fez
diversas escolhas na sua carreira internacional, que não foram das melhores, daí
a grande diferença entre os currículos internacionais dos dois pilotos. Pace e
Fittipaldi faziam parte da mesma geração de pilotos que apareceu em São Paulo
no início da década de 60, iniciando carreiras com humildes DKWs e Renaults,
logo passando para a poderosa equipe Willys,
com passagens na Dacon, Fórmula Vê, etc., até chegar na Europa. Emerson
seguiu primeiro, em 1969, enquanto Pace ganhava tudo no Brasil, na Alfa P-33 da Jolly.
Moco foi no ano seguinte, obtendo bastante sucesso na F-3. Em 1972,
Pace ainda procurava se firmar no automobilismo internacional. Emerson já
estava com o passaporte carimbado: piloto da Lotus pelo terceiro ano, desde o início
da temporada demonstrou muita velocidade, que resultou no seu primeiro título
mundial. Pace, por outro lado, teve uma temporada de muita luta e incrível
diversidade. Para
aqueles que não conhecem muito a história do automobilismo, cabe um parenteses.
Na década de 70, os pilotos de Fórmula 1 tinham carreiras bem diferentes dos
pilotos da atualidade. Hoje, pilotos de Fórmula 1 só correm na categoria maior:
têm exclusividade com suas equipes, e no máximo, participam de corridas de
kart beneficentes, fora da temporada. Nos anos 70, os pilotos profissionais
ganhavam dinheiro correndo em diversas categorias, o vulgo “starting money”.
Muitas vezes nem ganhavam tanto dinheiro assim; mas precisavam correr em
diversas categorias para se manter em evidência com o público e os team
managers, demonstrando que tinham capacidade de mudar para melhores equipes. Era
a fase pré-televisão, lembrem-se. E outra coisa: o sistema era mais impiedoso
com as “promessas”. Geralmente um piloto tinha que realmente mostrar serviço
nas primeiras duas ou três temporadas, se não era sumariamente excluído da
categoria. Carreiras como as de Jarno Trulli e até mesmo de Rubens Barrichelo
nunca teriam prosperado nos anos 70. Assim
que a temporada de Pace, em 1972, foi o direto oposto da temporada de Emerson.
Este correu exclusivamente com carros de uma empresa, a Lotus, na Fórmula 1 e Fórmula
2, e obteve treze vitórias no ano. Pace literalmente ralou, com o saldo de uma
única vitória no ano, na penúltima corrida. Mas fez boa impressão na crítica,
managers e nos fãs.
Pace e o fraco AMS em Buenos Aires, 1972. Começo de um árduo ano O
trabalhoso ano de Pace se iniciou nos 1000 km de Buenos Aires, quando foi
contratado para correr com um protótipo AMS. O carro tinha o menor motor entre
os carros inscritos, e infelizmente não passou das primeiras voltas. Pace e seu
companheiro, o argentino Angel Monguzzi, foram os primeiros a abandonar a
corrida. Apesar
do insucesso inicial, Pace tinha razões para celebrar: pelo menos estaria na Fórmula
1, pois fora contratado como segundo piloto da equipe Williams. Antes de ficar
abismado com o feito, notem que a equipe Williams de 1972 estava longe de ser o
portento da atualidade. De fato, era uma das três piores equipes da época, às
vezes a pior, correndo com carros March. O carro de Pace não seria nem daquele
ano: correria com um March 711, modelo que fizera boa temporada em 1971. Pace
foi um dos primeiros pilotos de Frank Williams na F-1. Ja imaginou o que não
teria feito com a Williams pos 1979? Infelizmente, em 1972 Williams usava um
March - e o de Pace era velho, ainda por cima. March 711 Ford A estréia
de Pace se deu no GP da África do Sul em 4 de março. De cara ficou óbvio que
as coisas não seriam fáceis: Pace só conseguira ser mais rápido do que Rolf
Stommelen, com o péssimo Eifelland-March, e do rodesiano John Love, que quase
ganhara o GP da África do Sul de 1967, mas que faria a sua última aparição
na prova africana. Na corrida Pace procurou não se exaltar, aprender mais sobre
o carro e chegou em 17°,
e último, lugar. Não foi um início muito auspicioso, mas cabe lembrar que na
sua estréia na F-1, Emerson largara na última fila, com a Lotus de fábrica e
ao lado de Graham Hill! 26
dias depois, um sonho se realizava para os brasileiros: a primeira corrida de Fórmula
1 no país, prova na qual os organizadores brasileiros pretendiam demonstrar
estar preparados para inclusão no calendário oficial de 1973. Só doze carros
vieram, com 4 BRM e 4 brasileiros na pista. Além de Emerson e Pace, Luis
Pereira Bueno e Wilson Fittipaldi Júnior também participaram. Apesar de ter
largado na frente do seu companheiro Pescarolo, com carro mais novo, Pace não
teve uma grande performance: largou em 7°
e abandonou na segunda volta. Além de
correr na F-1 com a Williams, Pace fechara negócio para correr na F-2 na equipe
francesa Pygmée. Com patrocínio do Banco Português do Brasil (que também o
patrocinava na F-1) Pace faria parte de uma equipe que incluía o filho do dono,
Patrick dal Bo, e o também brasileiro Lian Duarte. Infelizmente, a aventura
Pygmée foi mal sucedida. Já há alguns anos tentando obter sucesso nas Fórmulas
3 e 2, a bem intencionada Pygmée só conseguiu colocações intermediárias na
sua história. Embora inscrita, a equipe já começou faltando à primeira prova
do ano, que não era válida para o Campeonato Europeu, mas sim para o John
Player (Campeonato Inglês). Entretanto, a écurie compareceu à primeira etapa
do Europeu, em Thruxton, e pode até ser que Pace e Lian tenham achado que
fizeram excelente negócio: Dal Bo chegou em 4°,
e visto que havia dois pilotos graduados na sua frente, levou os pontos do 2°
lugar: de longe a melhor performance da história da Pygmée na F-2! Entretanto,
ambos os brasileiros se envolveram em acidentes antes de completar a primeira
volta na pista inglesa. O
fraquíssimo Pygmée MDB17 usado por Pace na F-2. Muita desilusão. A próxima
etapa do Europeu foi em Hockenheim, Alemanha, e a sorte de Pace não mudou:
outro abandono, embora tenha conseguido completar 12 voltas desta feita. A
próxima corrida de Pace foi o seu primeiro GP europeu, na Espanha, e aqui começou
a mostrar que tinha futuro. Apesar do carro velho e fraca equipe, Pace largou em
16°
lugar e chegou em 6°,
obtendo o seu primeiro ponto na categoria maior do automobilismo.
A corrida também marcou a primeira vitória de Emerson em 1972. Em
Pau, outra decepção com o Pygmée. Embora tivesse se classificado para a
corrida, não largou. Curiosamente, Pace conseguira marcar pontos na F-1 antes
de marcar na F-2, pois mesmo no ano anterior também não conseguira marcar
pontos no Campeonato Europeu. No dia
14 de maio, Pace participou do seu primeiro GP de Monaco. Essa corrida ficou
conhecida pelo imenso temporal que se debateu sobre o principado, pela única
vitória de Jean Pierre Beltoise e última vitória oficial da BRM na F-1. A
corrida também foi transmitida pela Rede Globo, que já começava a se animar
com a F-1. Para Pace as coisas não foram bem. Largou em penúltimo, só na
frente de Stommelem, e chegou em 17°,
a 8 voltas de distância de Beltoise. A
Pygmée fez forfait novamente na próxima corrida da F-2: nenhum Pygmée MDB17
foi para a última corrida a ser realizada no circuito londrino de Crystal
Palace. Fecha-se um cicuito, abre-se outro. Assim, o próximo GP se realizou no
novo circuito belga de Nivelles, em 4 de junho de 1972, e de novo a estrela de
Pace brilhou. Nos treinos, marcou o 11°
lugar, ficando na frente de 3 BRM, dos dois March de fábrica (Peterson e Lauda)
e de Chris Amon, com a Matra, além de outros carros. Na corrida Moco manteve-se
sempre entre os primeiros colocados, e na prova chegou em 5°
lugar, ganhando mais dois pontos, e tornando-se piloto graduado após 4 corridas.
(Naquela época, os pilotos que obtivessem dois resultados entre os seis
primeiros em duas corridas de F-1 no mesmo ano, se tornavam “graduados”).
Apesar
do sucesso na F-1, na F-2 ficava óbvio que a escolha de equipe fora errada. Em
uma segunda etapa realizada em Hockeinheim, a Pygmée de novo não levou carro
para Pace (mas Dal Bo lá estava) e a paciência dos brasileiros começava a se
esgotar. No
dia 25 haveria outra prova de F2, em Rouen, mas Pace tinha coisas melhores para
fazer: fora contratado pela Ferrari para correr nos 1000 km de Oesterreichring,
na Áustria. Nessa corrida, a Ferrari que já ganhara todas as corridas das
quais participara, inscreveu 4 carros. Pace foi escalado para correr com o austríaco
Helmut Marko. A dupla marcou o 5°
tempo nos treinos, e fez excelente corrida, chegando em 2°
lugar, só atrás de Ickx/Redman, e na frente de dois outros carros da Scuderia.
O Porsche 908/2 da equipe Hollywood
também disputou esta corrida. De volta
na F-1, no GP da França, Pace teve boa performance nos treinos em Clermont-Ferrand,
longo circuito montanhoso que seria usado pela última vez na F-1: marcara o 11°
lugar. Na corrida o motor falhou, e Pace abandonou. Esta corrida foi curiosa por
duas razões: o azarado Chris Amon, com a Matra, marcou o melhor tempo nos
treinos, e estava milhas na frente do segundo colocado quando uma pedra furou um
dos seus pneus. Trocou o pneu e voltou com tudo, marcando a volta mais rápida e
chegando em terceiro. Seria a última grande oportunidade de Amon ganhar um GP.
As mesmas pedras que acabaram com a corrida de Chrissy, cegaram Helmut Marko,
austríaco que estava crescendo bastante no automobilismo. Além de ter ganho Le
Mans em 1971, Marko tivera excelente desempenho na Targa Florio de 72, além do
segundo lugar na Áustria com Pace. Nesse GP, largou na sua melhor posição, 5°.
Foi o fim da sua carreira como piloto, mas continuou no esporte como dono de
equipe e empresário de pilotos.
A
próxima etapa do Europeu de F-2 foi na mesma pista de Osterreichring onde Pace
teve excelente desempenho no Mundial de Marcas. Infelizmente, o fraco Pygmee não
lhe possibilitou classificar-se para a largada e assim terminou a associação
de Pace com a fraca equipe gálica. Em contrapartida, Emerson largou na pole,
fez a melhor volta e ganhou a corrida em grande estilo. O
próximo GP foi o da Inglaterra, e Pace de novo teve boa posição na largada,
13°.
Na corrida chegou a estar em 9°
lugar, mas a transmissão falhou, e Pace abandonou. Pace
foi convidado pela equipe Mirage para fazer dupla com Derek Bell na última
corrida do Mundial de Marcas daquele ano, em Watkins Glen, estado de Nova York.
Pace mostrou adaptar-se rapidamente a bons carros, e nos treinos e na corrida a
dupla obteve um excelente 3°
lugar. Isso foi suficiente para que a Ferrari o contratasse para a sua equipe de
protótipos do ano seguinte. Bell viria a ser um dos principais pilotos de
carros esporte da história. Pace
e Bell - terceiros com o Mirage em Watkins Glen A próxima
etapa da F-1 seria no difícil circuito de Nurburgring. Apesar de nunca ter
corrido no dificílimo autódromo, Pace não fez feio nos treinos: 11°
lugar. Na corrida, as coisas foram diferentes. Com problemas, o velho March fez
3 voltas a menos do que o vencedor Ickx, e Pace não obteve classificação,
apesar de estar na pista no final da prova. Após
diversas semanas correndo direto, Pace teve algumas semanas de descanso, só
voltando a correr no GP da Áustria, sua terceira prova em Osterreichring no
mesmo ano. Dessa feita largou em 18°
e de novo terminou com voltas insuficientes para se classificar: 8 voltas atrás.
Entre outros problemas, Frank Williams teve em Henri Pescarolo um desastrado
piloto n°
1. Pescarolo destruiu diversos chassis no curso do ano, em inúmeros acidentes,
algo terrível para uma equipe sem recursos como a Williams. Isso sem dúvida
fez com que o próprio desempenho de Pace piorasse com o passar do ano, pois a
equipe tinha de concentrar em consertar os carros de Pesca. Em
Enna, Pace já estava de equipe nova na F-2: a Surtees. Sem dúvida, 1972 foi o
melhor ano da Surtees. Além de ser campeã na F-2, foi nesse ano que a equipe
obteria sua melhor colocação em uma prova oficial de F-1 (2°
no GP da Itália, com Hailwood), além de ganhar também o Campeonato Europeu de
Fórmula 5000 com o holandês Gijs Van Lennep. A escolha de Pace foi boa, exceto
que 1972 foi o absoluto auge da Surtees, que daí por diante só viria piorar,
em todas as categorias. Sua estréia na equipe na F-2 resultou em outro abandono,
por problemas de motor. Logo após Enna, Pace embarcava em uma nova aventura, exclusiva entre os brasileiros: participação na série Can Am nos Estados Unidos. A Can Am rivalizou em prestígio e performance até mesmo com a F-1. Tratava-se de uma série de carros esportes com regulamento liberal, que resultava, entre outras coisas, em motores de mais de 8 litros, introdução dos aerofólios, aspiradores com efeito aerodinâmico, turbo compressores etc etc. Em 1972 a milionária série já não gozava de tanto prestígio como nos anos 60, mas ainda tinha certa repercussão no automobilismo mundial, principalmente com a chegada das poderosas Porsche 917 Turbo. Pace foi contratado para fazer algumas corridas pela Shadow, equipe que no ano seguinte entraria na F-1. A primeira corrida, em Road America, resultou em abandono.
Mas
sua segunda prova na Surtees, em Salzburgring, teve um belo resultado: 2°,
após marcar a pole position. Em 1°
na corrida ficou Hailwood, que assim se aproximava do título. Essa foi a última
prova de Pace no Europeu de F-2 daquele ano, portanto, um final feliz de um ano
que parecia destinado a atropelos
As performances de Pace nos treinos já não estavam grandes coisas na
F-1: largou em 18°
em Monza, mas por incrível que pareça foi o March melhor colocado na largada;
largou inclusive na frente do vice-campeão Peterson e do futuro campeão Lauda.
Na corrida teve acidente na 17a. volta, assim abandonando. Foi nessa
corrida que Emerson Fittipaldi se sagrou campeão mundial. Após
a Itália, Pace voltou para as Américas, para outra prova de Can Am, desta
feita em Donnybroke, Minnesota. Outra vez seu Shadow Chevrolet abandonou nas
primeiras voltas da corrida ganha por outro piloto de Fórmula 1, François
Cevert.
As duas últimas provas de F-1 se realizavam na América do Norte: Canadá
e depois Estados Unidos. No Canadá, Pace largou em 18°
novamente, mas conseguiu se classificar em 9°
lugar, apesar de não estar correndo no final da prova. Entre
o GP canadense e americano, ocorreu a prova da Can Am em Edmonton, Canadá. Ali
Pace teve um melhor desempenho, chegando em ótimo quarto lugar após os três
principais protagonistas do campeonato, Mark Donohue, Denis Hulme e George
Follmer. Esta foi a última corrida de Pace na Shadow, que terminou o campeonato
com um único carro para Jackie Oliver. Este haveria de ganhar o título em
1974, com a série já em franca decadência.
31
carros foram inscritos no GP dos Estados Unidos. Devido aos altos prêmios pagos
na corrida, diversas equipes de ponta inscreviam 3 carros. Além disso estava
presente a mal sucedida armada da BRM com 4 carros, e alguns pilotos americanos,
com Sam Posey e Skip Barber. Pace conseguiu largar em 15°,
de novo o March mais rápido (apesar de ser o mais antigo). Na corrida teve
falha do injetor, ocasionando outro abandono. Ainda se realizou uma outra prova de F-1 no ano, em 22 de outubro, o John Player Trophy em Brands Hatch. Deveria ser uma festa para Emerson, mas terminou mal para ele. Apesar da fácil pole, Emerson acabou abandonando. Mas a prova seria a estréia de Pace na Surtees, sua nova equipe na F-1. Frank Williams queria ficar com Pace, mas obviamente tinha pouco a oferecer. Certamente a escolha de Pace fora acertada, pois os Iso-Marlboro usados por Williams no ano seguinte foram uma das grandes piadas do ano – até o Ensign teve melhor desempenho. Comparativamente o Surtees TS-14 era um bom carro, mas infelizmente, uma corrida extra-campeonato de fim de ano era uma coisa: o campeonato de F-1 outra. Pace chegou em 2° em Brands, logo após Jean Pierre Beltoise, e na frente de outro Surtees, do italiano Andrea de Adamich.
O
calendário internacional de 1972 terminaria no Brasil, com a segunda temporada
internacional de F-2. Esta acabou tendo 3 rodadas (algumas pré planejadas foram
canceladas), todas em Interlagos. Alguns dos melhores pilotos da F-2 vieram para
a série de corridas no Brasil, inclusive o campeão Hailwood, e o vice-campeão
Jassaud; o piloto de F-1 Clay Regazzoni; o futuro campeão de mundo James Hunt,
que viria a fazer furor na F-1 em 1973; e a equipe Rondel, com o campeão de F-2
de 1971 Ronnie Peterson, Tim Schenken, Bob Wollek e Henri Pescarolo.
Entre os brasileiros, estariam presentes os três da F-1, Emerson, Pace e
Wilsinho, além de diversos outros com carros alugados: Pedro Victor de Lamare,
Lian Duarte, Chico Lameirão e Silvio Montenegro. O último foi obviamente muito
otimista. Piloto de pouco pedigré no próprio Brasil, acostumado a pilotar
fuscas, Montenegro obviamente tinha superestimado sua capacidade. Não brilhou,
e de fato, desapareceu do automobilismo depois disso. A
primeira etapa se realizou em 29 de outubro, e o resultado não foi bom para
Pace. Abandonou com problemas de motor na 2a. volta da primeira
bateria, e não voltou para a segunda. Na segunda corrida, em 5 de novembro,
Pace teve um desempenho excelente, ganhando as duas baterias e a geral. Acabou
sendo a sua única vitória do ano, e segunda na F-2 (ganhara em Imola em 1971,
prova extra campeonato). A terceira etapa se realizou em 12 de novembro. Pace
fez a pole position, mas teve problemas na primeira bateria e terminou em 16°.
Na segunda bateria, comprovou todo o seu potencial da primeira bateria, ganhando
com três segundos de vantagem sobre seu companheiro de equipe, Mike Hailwood,
que acabou ganhando na geral. Pace também marcou a volta mais rápida. Na soma
dos tempos ficou em 8°.
Resultados completos
do torneio
Surtees
TS10 - o carro no qual Pace obteve sua única vitória do ano. Carro
restaurado Assim
terminava a árdua temporada de Pace. Não somente estreara na F-1, mas também
no Campeonato Mundial de Marcas e na Série Can Am. Dirigiu diversos carros
durante o curso do ano, nos dois lados do Atlântico, mas não obteve o sucesso
esperado na F-2. Entretanto, o futuro parecia sorrir para Pace, não na forma em
que sorriu para Fittipaldi – as coisas pareciam se realizar com mais
dificuldades para ele, mas eventualmente aconteciam. Infelizmente, Pace morreu
de desastre de avião justamente no ano em que concretizou um dos seus objetivos:
ser o piloto número 1 de uma equipe de ponta de F-1.
TEMPORADA
DE 1972 DE JOSÉ CARLOS PACE
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