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CORRIDAS DE AYRTON SENNA
FORA DA FÓRMULA 1 Por Carlos de Paula Até o final da década
de 70 e começo da década de 80, era comum para pilotos de Fórmula 1 correr em
outras categorias, inclusive Fórmula 2, Can-Am, Fórmula 5000, Fórmula Indy,
Carros Esporte, GT e Turismo. Entre outras razões, os pilotos precisavam reforçar
seus orçamentos competindo. As equipes pagavam pouco, portanto os prêmios de
largada para “estrelas” eram bem-vindos. Para ter uma idéia, o primeiro
piloto da Ferrari, em 1969, Chris Amon, supostamente ganhou da Ferrari somente
$25.000 para correr em Fórmula 1, Carros Esporte, Can-Am e Fórmula Tasman
(valor que Schumcaher ganhava em algumas horas...).
Ou seja, ou o piloto corria, ou morria de fome! À medida que houve a
consolidação do patrocínio comercial e expansão de cobertura televisiva e do
calendário de Fórmula 1, de 12 para 15 corridas, os pilotos passaram a ganhar
melhor, e uma vez que atingiam a Fórmula 1, a maioria parava de correr em
outras categorias. Além do que, os patrocinadores começaram a exigir um
empenho maior dos pilotos em atividades extra-pista, e aumentara a necessidade
de testar os carros para manter a competitividade. Ou seja, quando Ayrton
Senna chegou à Fórmula 1, em 1984, passou a correr quase que exclusivamente na
categoria, salvo por duas exceções curiosas. A primeira foi a corrida
de reinauguração de Nurburgring, Alemanha, em 1984. O Nordschleife, pista de
mais de 22 km, fora desativado para provas internacionais, e um novo circuito
foi criado, mais adaptado às realidades televisivas do momento. A Mercedes-Benz,
que teve tantos triunfos na velha pista, resolvera promover uma corrida com o
novo “Mercedinho”2.3. De fato, a Mercedes já vinha timidamente
ensaiando uma volta às pistas, tendo se retirado oficialmente após o terrível
acidente de Le Mans, em 1955, do qual foi protagonista. Usando a preparadora AMG,
a MB aqui e ali inscrevia carros no Campeonato Europeu de Turismo (ETC),
notadamente nas 24 Horas de SPA de 1971, no ETC de 1978 e nas 6 Horas de
Nurburgring de 1980. Foi bem sucedida na última corrida, ganhando-a com a dupla
Clemens Schickentanz/Jorg Denzel. Entretanto, a AMG fracassou em Le
Mans, 1978, onde inscreveu um 450 SL no grupo 5 sem consdeguir classificação. Em Nurburgring a
Mercedes usou uma tática já bem conhecida das fábricas brasileiras para
evitar fiascos: uma corrida monomarca. Nada de se bater contra outros
fabricantes!!! Para esta corrida, a
Mercedes preparou 20 Mercedinhos 190, e chamou um elenco de pilotos famosíssimos:
os ex-campeões de Fórmula 1 Niki Lauda, Alan Jones, Keke Rosberg, Jack
Brabham, Denis Hulme, Phil Hill, John Surtees, e outros pilotos de renome, Carlos
Reutemann, John Watson, Klaus Ludwig, Manfred Schurti, Jacques Laffite, Udo
Schutz, Hans Hermann, Elio de Angelis e Alain Prost. Para dar um gostinho de
novidade, também chamou o novato Ayrton Senna, para ver que bicho dava. E o bicho deu. Na corrida, realizada em
uma pista molhada, em 12 de maio, Ayrton não deu a mínima bola para o pedigrê
dos seus concorrentes, e após batalhar com Lauda, Rosberg e Reutemann, e dar um
chega-pra-lá em Alain Prost, simplesmente ganhou a corrida para surpresa
geral. Era só o começo...
A outra corrida de Senna
fora da Fórmula 1 ocorreu em Nurburgring novamente, nos 1000 km de 1984, no dia
15 de julho, em prova válida para o Mundial de Marcas. A essa altura já tinha
ocorrido o épico GP de Mônaco, que Senna quase vence não fosse pela
conveniente bandeira vermelha que deu a vitória a Prost. Infelizmente, nessa
ocasião Senna não foi tão bem sucedido. Não que o carro ou os companheiros
de equipe fossem ruins. O carro era um Porsche 956, inscrito por Reinhold
Joest. Os companheiros de equipe eram Henri Pescarolo, que havia ganho Le
Mans quatro vezes (inclusive naquele mesmo ano, um mês antes, ou seja, não era
mais um “véinho vivendo do passado”) e Stefan Johannson, rápido piloto
sueco. Nos treinos, o trio só conseguiu marcar o 9°
tempo. Teria que disputar a prova com dois carros de fábrica da Porsche, além
de duas Lancias, e Porsches das Equipes Fitzpatrick, Kremer, Lloyd e Brun.
Embora tenha chovido, o carro 7 perdeu oito voltas nos boxes, com problemas na
embreagem, e Senna terminou a corrida em 8°
lugar. Depois disso, Senna nunca mais correu fora da Fórmula 1.
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