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TORNEIO DOS CAMPEÕES - 1975 Por Carlos de Paula
Pace
sagrou-se campeão na frente de quatro argentinos. Quase deu zebra! Em última análise, o 4
cilindros poderia ter salvo o modelo Maverick,
pois nos idos de 1979 a palavra V8 virara palavrão. Mas na realidade, quem
precisava de salvação era o Maverick 4 cilindros: o conceito simplesmente não
vingou. Seria a mesma coisa que um Fusca
com um grande radiador de água na frente.
Uma coisa de boa o
Maverick 4 cilindros fez: reuniu pilotos de alguns países sul-americanos,
muitos brasileiros de categoria e até mesmo o italiano Vittorio Brambilla, que
acabara de vencer o Grande Prêmio da Áustria, em um torneio de duas provas,
realizado em 14 e 21 de setembro de 1975, em Interlagos
e Brasília. A simpática
iniciativa da Ford trouxera para o Brasil, pela primeira vez,
pilotos de países como Equador e Peru, além de uruguaios, paraguaios,
chilenos, venezuelanos e...argentinos, muitos argentinos! Os carros eram sorteados
entre os participantes, assim não tinha como favorecer fulano ou sicrano. O número
indicava a posição de largada na primeira bateria, que era invertida na
segunda, proporcionando assim boas possibilidades de recuperação.
O vencedor do Torneio
acabou sendo José
Carlos Pace, sem dúvida o melhor piloto elencado, embora alguns argentinos
tenham dado trabalho, principalmente Carlos Garro, campeão da categoria turismo
na Argentina. Garro deu verdadeiro show em Brasília. Largou no 31°
lugar, na primeira bateria, e chegou na 5a. posição. Na segunda bateria caiu
para o último lugar, após receber uma batida de Newton Pereira, e ainda assim
conseguiu galgar posições e chegar em terceiro. Seu nome deveria ser Carlos
“Garra”! Outros argentinos, como Esteban Fernandino, Ricardo Zunino,
que eventualmente chegaria à Fórmula 1, Jorge Recalde, Luiz di Palma também
demonstraram categoria, embora alguns dos outros sul-americanos teriam feito
melhor se ficassem em casa. Mas havia representantes de muitos países do
continente. Havia um peruano, Henry Bradley, os uruguaios Daniel Luzardo,
Alberto Branda e Pedro Kent, os chilenos Santiago Bengolea e Rodrigo Gama, o
venezuelano Ernesto Souto e Edgard Soares, os paraguaios Roberto Bittar e Hector
Risso, o equatoriano Franklin Perez, de forma que foi uma verdadeira, e rara, celebração sul-americana.
Outros convidados da Fórmula
1, como Jody Scheckter e Ronnie Peterson, acabaram não vindo, e
seus lugares foram ocupados por Ricardo Lenz e Camilo
Christofaro, respectivamente. Este último não esteve bem: só correu em
Interlagos e fez uma corrida burocrática. De fato, alguns bons pilotos
brasileiros não tiveram boas atuações no torneio: Clovis de Moraes correu de
forma conservadora, Norman Casari
fez pouca coisa, Arthur
Bragantini teve mal desempenho, pois teve azar no sorteio de carros, e Luis
Pereira Bueno e Jayme
Silva tiveram quebra do motor em Interlagos, e não correram em Brasília. Alex
Dias Ribeiro continuou com a sua onda de colisões, capotando em Interlagos.
Brambilla, também conhecido por amar os guard-rails, também teve uma colisão,
que tirou da prova de Interlagos Fabio Crespi, Cairo Fontes e Norman Casari.
Brambilla não correu em Brasília. O critério para escolha
de pilotos brasileiros foi curioso, pois alguns pilotos famosos ficaram de fora,
e outros não tão famosos, foram chamados. Por exemplo, diversas figuras
carimbadas da Super-Vê
ficaram de fora...Lameirão,
Piquet, Celidônio,
Chateaubriand, Troncon. Para
que dar doce na boca do concorrente, né? A Ford tentou chamar pilotos de
diversas regiões do Brasil, e não concentrar somente em pilotos paulistas.
Assim foram chamados Cairo Fontes, Paulo Guaraciaba, Jose Carlos Catanhade e
Paulo César Lopes, todos do Planalto Central. Pedro
Muffato representou o Paraná, e chegou em 7°
na primeira corrida. Bob
Sharp e Aluisio Andrade Filho tiveram excelente performance entre os
brasileiros, com Sharp chegando em 6° lugar, atrás de Pace e quatro argentinos, e Aluisio chegando em 7°.
Aluisio chegou em 4°
em São Paulo, e 19°
em, Brasília, ao passo que Bob Sharp conseguiu um 8° lugar em Interlagos, e 4° em Brasília. Curiosamente, o piloto
Edgard Mello Filho, que ajudara a Ford a acertar os carros, e sabia quais eram
porcarias, acabou ficando com um carro fraco no sorteio. Chegou em 9°
em Interlagos e 22°
em Brasília. A corrida de Interlagos
teve 24 voltas, em duas baterias de 12. Carlos Garro ganhou, seguido de Pace,
Esteban Fernandino, Aluisio, Ricardo Lenz e Jorge Recalde. O paulista Newton
Pereira, um dos pilotos mais ativos da época, chegou em 10°
lugar, marcando um pontinho no torneio. A
melhor volta fora de Carlos Garro, em 4m04,93s. Para ter uma idéia, os Maverick
V8 D-1 rodavam em Interlagos em aproximadamente 3m45s.
Na prova de Brasília,
Pace prevaleceu, seguido de Zunino, Garro, Bob Sharp, Jorge Recalde, Esteban
Fernandino e Paulo Gomes,
que chegou a liderar diversas voltas, mas teve que parar nos boxes para corrigir
um problema no cano de escapamento. Paulão foi o Chris Amon do
torneio, pois em Interlagos teve problemas mecânicos e um pneu furado.
Moco salvou a honra do
Brasil, levando mais este caneco para a sua grande coleção. Uma grande forma
de terminar um excelente ano, onde ganhara seu primeiro Grande Prêmio e
diversas corridas de Divisão um, com Maverick de Gente Grande, o Vê-Oitão. Nunca mais se viu o
Maverick 4 clindros nas pistas.
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