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1500 KM DE INTERLAGOS DE
1970 - A ÚLTIMA GRANDE VITÓRIA DO MESTRE CIRO CAYRES Por Carlos de Paula Participante das
corridas brasileiras desde 1950, o paulista Ciro
Cayres só se aposentaria em 1974, ao ganhar de forma arrasadora o
campeonato Paulista de Divisão
3 com um Opala.
Sem desmerecer do feito, as disputas eram bem fracas na classe C da qual Ciro
participativa, assim, a conquista dos 1500 km de Interlagos de 1970 deve ser
considerada a última grande vitória de um dos maiores pilotos
brasileiros da história. A corrida foi notável
também por ser a primeira grande prova de longa duração a ser realizada na
pista paulista desde que fora reaberta. A reinauguração se deu na última
etapa do Torneio BUA de Fórmula
Ford, prova curta realizada poucos dias antes. Interlagos se tornou famoso
com as provas de longa distância, como as Mil
Milhas, 500 km, 12 Horas, 24 Horas, e 6 Horas, e de fato, a última corrida
realizada antes do fechamento da pista fora a Mil
Milhas de 1967. Nesse tempo, muita coisa
mudara no automobilismo brasileiro. Um dos fatos mais notáveis era a participação
de 22 carros com mecânica VW
entre os 44 inscritos na corrida. Além de muitos Fuscas envenenados, a mecânica
VW equipava diversos protótipos e Pumas,
e a VW, tímida participante das corridas nos anos 60, passava a dominar os
grids quantitativamente. Esta foi a última grande conquista de Ciro Cayres, que ainda ganharia diversas outras provas menores Esperava-se, entretanto,
que a longa prova fosse ganha por outros carros. As BMW da equipe CEBEM
estavam entre as favoritas alinhando o veterano Ciro Cayres em dupla com Jan
Balder, numa BMW 2000 Spider (sem capota) e Fausto Dabbur e Emerson Mauf
numa outra com capota. A equipe Jolly
estava presente com suas Alfas, sendo que a 27 era a ex-Alfa do carioca Mario
Olivetti, que seria pilotada nesse evento por Jaime Pistilli e Leonardo Campana.
A n° 25 seria tocada por Emilio
Zambello e Alcides Diniz. O protótipo Bino, n°
47, seria pilotado por Luis
Pereira Bueno e Wilson
Fittipaldi Junior, este último se despedindo das corridas brasileiras. Camilo
Christofaro faria dupla com Eduardo
Celidonio, na famosa carretera
18. Entre os protótipos VW figuravam entre os favoritos Luis Evandro Águia e
Stanley Ostrower, no protótipo Kinko’s, além de Mauricio
Chulam e Ronald Rossi, no
Patinho Feio. Havia ainda alguns remanescentes dos anos 60, como um protótipo DKW,
de Waldomiro Pieski/Luiz Paulo Souza, um Renault R8 para Walter Travaglini e Cláudio
Carvalho, uma Berlinetta Interlagos para Nelson Bastos/Milton Amaral e uma Simca
para Giancarlo Baldratti e Expedito Marazzi. Além disso, os anos 50 também
marcavam presença com a Maserati de Cianciaruso/Papaleo e a Ferrari de Zé
Peixinho/Ayres Bueno Vidal. O futuro também estava presente, com dois bem
preparados Opalas para as duplas de irmãos Clemente (Bird
e Nilson) e Da Matta (Antonio e Iwaldo). Com
a euforia da Fórmula Ford, da excelente temporada de Emerson
em 1969 e finalmente com um
autódromo de padrão internacional havia pelo menos a intenção de se
profissionalizar um pouco mais o automobilismo tupiniquim. Isso foi refletido no
alto prêmio de NCr$26,000.00, além de prêmios altos para outras categorias.
Muitos participantes estavam encantados com esse “novo automobilismo”, que
entretanto, não duraria muito. O público, embora não tão grande como na Fórmula
Ford, era bom naquele 8 de março, e 20.000 pessoas estavam em Interlagos. Nos treinos, Ciro marcou
um excelente tempo de 3m28s7/10, seguido de Camilo e Zambello com a Alfa GTAM. O
inicio da prova de mais de 12 Horas foi um verdadeiro Festival Ciro/Camilo, para
deleite dos mais saudosos, mas a possante carretera não durou mais do que três
horas, embora o responsável tenha sido um pneu que estourou na Curva do Sul,
fazendo o carro bater no barranco. Ninguém pode dizer se ela duraria ou não as
12 Horas. Luis Antonio Grecco, que
conhecia como ganhar corridas em Interlagos como poucos, estabeleceu um
“train” de corrida mais leve para Wilson/Luisinho, na base dos 3m50s, embora
o carro fosse capaz de acompanhar as BMW e Alfas. Pouco a pouco, foi subindo de
posição, de oitavo na primeira volta até chegar à liderança. O ágil protótipo
foi traído por uma manga de eixo, terminando por abandonar a prova. Com a desistência do 47
as coisas ficaram muito mais fáceis para Ciro, que se deu ao luxo de também
marcar a volta mais rápida da prova, em 3m29s6/10. As duas BMW dominaram, com
Ciro/Balder em 1°, seguidos de Maluf/Dabbur, Campana/Pistilli e o primeiro protótipo
nacional, o Kinko’s com mecânica
VW, de Águia/Ostrower. O primeiro da categoria Esporte Livre foi o Alfa Tornado
de Ugo Galina/Freddy O’Hara, seguido de Jair Santiago/”Eme”, com protótipo
VW, Zambello/Diniz com a Alfa n° 25, e Chulam/Rossi, com o Patinho Feio. A Simca se despediu de Interlagos
com um honroso e lucrativo 13° lugar: como vencedores da categoria Turismo Especial, Baldratti/Marazzi
embolsaram NCz$6,000.00, nada mal para um carro que chegou a 30 voltas (a 240
km) do vencedor, e sem freios.
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