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Lembre-se sempre de dizer que viu na Brazilian Yellow Pages.
EQUIPE
VEMAG Por Carlos de Paula Fotos
do site obvio.ind.br Diversas
montadoras se interessaram em fabricar carros no Brasil após as gestões da Subcomissão
de Jipes, Tratores, Caminhões e Automóveis, que estabeleceu um prazo para que
veículos só entrassem no Brasil totalmente desmontados, e sem componentes que
já fossem fabricados no País, no segundo
Governo Getúlio Vargas. Com isto visava-se atrair a vinda dos fabricantes de
automóveis, inviabilizando a importação direta de carros. Alguns destes
fabricantes já montavam veículos no país há décadas, como a Ford e GM,
despachados parcialmente desmontados e 100% estrangeiros. Para alguns, a nova
fase seria uma adaptação para montagem de CKD’s, com componentes brasileiros,
e eventualmente em montagem de carros 100% nacionalizados. Entre as
“montadoras” encontrava-se uma fábrica de capital
privado 100% nacional, que até aquela altura montava veículos
Studebaker, caminhões Scania Vabis e tratores Massey Ferguson. Era a Vemag,
nascida Distribuidora de Automóveis
Studebaker, que mudou de nome em 1955 e que viria a construir carros DKW
no Brasil.
A
risonha, primeira Vemaguete do Brasil E
foi também a Vemag pioneira nas competições, como equipe oficial. As corridas
do Brasil, na época, se dividiam em corridas mais curtas, com carros de competição
puros (os mecânica
continental e carros esporte, e às vezes, carreteras)
e corridas de longa duração, com carreteras e carros de turismo. Já na
segunda edição das 1000 Milhas, em 1957,
correu um DKW, do entusiasta gaúcho
Karl Iwers, e apesar do motor pequeno, não fez feio: chegou em 12°
lugar misturando-se às carreteras com motores cinco vezes maiores que o seu.
A Vemag foi a primeira fabricante a decidir abrir um departamento de
competições, em 1960, chefiado por Jorge Lettry. A trajetória
da equipe Vemag foi análoga à da fábrica. Muita luta contra concorrentes mais
fortes, pouco dinheiro, raridade de resultados absolutos, mas muita, muita garra
e simpatia popular. Dentre as três equipes de fábrica, a Vemag foi a única
que nunca dominou o cenário brasileiro nas grandes corridas. A Simca
teve sua fase de ouro com os Simca-Abarth, em 1964
e 65, e a Willys dominou o
resto do tempo desde a sua criação em 1962. A verdade é que a Vemag também
foi a única que nunca “apelou” para artifícios, como a importação do
Abarth pela Simca, e do Alpine, pela
Willys. O próprio JK era suspeito, pois as
primeiras unidades eram muito mais italianas do que brasileiras, apesar da lei (a lei, ora a
lei!). A Vemag sempre
usou carros que eram fabricados, ou muito similares aos industrializados no
Brasil (longe de ser o caso do Simca Abarth 2.0 ou do motor 1.3 do Alpine!). E
apesar de ser a pioneira, na primeira fase a Vemag
teve que aguentar os sucessos repetidos, nas grandes corridas, dos FNM
JKs, verdadeiros papa-tudo entre 1960
e 1962, apesar de contar com pouco ou nenhum auxílio
da fábrica. Ainda assim, nas 1000 Milhas de 1960 DKWs chegaram em 7°,
10°
e 11°,
com Paulo Marinho/Geraldo Bandeira, “Marinho”/Ciro Cayres e Danilo Lemos/Luis
Grecco. Nas 24 Horas de Interlagos, foram melhor ainda: Karl Iwers e Diogo
Elwanger chegaram em 4°,
logo após um trio de JKs. Em 1961, a Vemag teve melhor desempenho nas 1000
Milhas, chegando em 6°
e 7°,
com Marinho/Bird Clemente e Greco/Juvenal Terra, superando as Simca,
mas perdendo para os JK. Nas 12 Horas de 1962, outro 4°
lugar e a patente superioridade numérica dos DKW, ficando só atrás de 3 JK e
na frente de uma Alfa Giulietta italiana! Outro ponto alto de 1962 foi a vitória
de Marinho na pista de rua de Araraquara, interior de São Paulo. Pilotos
da Vemag: Lameirão, Marinho, Scuracchio e Anisio. Note-se atrás ambulância do
Hospital Santa Lucia: 33-3333. Quem se lembra? Nesta
primeira fase a Vemag contava com excelentes pilotos, de fábrica e particulares,
inclusive Bird Clemente e Marinho (estes dois pilotos oficiais, com
salário em forma de uso particular de carros da montadora); além disso, outras
feras correram com DKW, como Luis Grecco, Ciro Cayres, Eugenio Martins, Godofredo
Viana e Christian Bino Heins. Muitos foram contratados para formar a
Equipe Willys, e Ciro acabou na
Simca.
Mais
tarde essa turma inicial foi substituída por Chico Lameirão, Roberto dal Pont,
Anísio Campos, Norman Casari, Jan Balder e Eduardo Scurrachio. Nas
corridas de rua, como Araraquara e Piracicaba,
os DKWs levavam certa vantagem sobre os grandões Simca e JK, e sobre os
mais leves produtos da Willys. A combinação do motor e tração dianteira
davam grande torque aos pequenos DKWs, que frequentemente surpreendiam em
circuitos de rua e nas raras subidas de montanha. Só que em Interlagos, o único
autódromo brasileiro da época, o DKW normalmente só ganhava na sua classe –
da qual era geralmente o único integrante- pois muitas vezes os Gordini/1093
eram inseridos em uma classe própria! 500
km de Interlagos de 1966 - Malzonis na frente do grid, alguns Belcar nas
posições intermediárias e finais Mas a
equipe Vemag tentou de tudo um pouco. Sob a tutela de Jorge Lettry, e com o mecânico
Miguel Crispim, que procurava extrair o máximo de desempenho dos motores de 1.0
litro, a Vemag construiu carreteras, como a Mickey Mouse, que chegou a ser
testada por Juan Manuel Fangio, e era normalmente pilotada pelo folclórico
Volante 13. A Vemag também fez uma bem sucedida excursão histórica em 1963,
ganhando uma prova internacional com Bird Clemente, no Uruguai, as 3 Horas de
Rivera. Mas no cenário nacional, com o lançamento da Berlinetta Interlagos
homologada como carro de turismo, as coisas ficaram muito apertadas para os
Belcar e carreteras da Vemag. Landi-Bianco DKW, Fórmula Jr.
Interlagos
1963 - F-Jr DKW combatendo contra um Mecanica Continental: Davi x Golias
Durante
a tentativa de instalação da Fórmula Júnior no Brasil, em 1962, a Vemag deu
o apoio que podia, inclusive preparando um Landi-Bianco-DKW para Mario Cesar de
Camargo Filho. A Fórmula
Junior tinha tudo para ser a categoria de maior sucesso para a Vemag, mesmo
porque na própria Europa e Estados Unidos, diversos fabricantes de chassis como
Elva, Mitter, etc., equipavam seus F-Jr. com motor DKW. O propulsor foi um dos
que mais sucesso teve na fase inicial da fórmula, principalmente na Alemanha e
no Leste Europeu. Na verdade no Brasil a categoria fracassou por uma série de
circunstâncias analisadas no artigo acima, e os carros efetivamente acabaram
correndo como “classe B” da Mecânica Continental, e mesmo lá, perdendo
para Landi-Biancos equipados com motores Simca e JK, mais potentes, assim
colocando os DKW de volta nas posições intermediárias. Carcará:
carro de recordes da Vemag: recordista até hoje! Já na
fase terminal da equipe oficial o chassis do F-Jr. foi usado para construção
do Carcará, veículo de recorde construído pela Vemag na tradição da
Auto-Union nos anos 30. Desenhado, preparado e construído por Jorge Lettry, Anísio
Campos e Rino Malzoni, o carro foi dirigido por Norman Casari e bateu um recorde
sul-americano de velocidade que permanece até hoje. (Mais
informações sobre o Carcará aqui) KG
Porsche x Malzoni nas 1000 Milhas de 1966 Na última
fase da Vemag, a equipe concorreu com o DKW-Malzoni, eventualmente conhecido
como Puma-DKW, a partir de 1964. O belo carrinho teve excelente desempenho em
diversas corridas, fortalecendo a Vemag nas corridas de rua, e melhorando demais
o seu desempenho em Interlagos e no recém inaugurado autódromo do Rio de
Janeiro. Em Piracicaba, 1965, por exemplo, os Malzoni simplesmente dominaram com
Marinho, Eduardo Scuracchio e Chiquinho Lameirão chegando em 1-2-3. As vitórias
voltaram a aparecer. Mas apesar de finalmente ter um verdadeiro carro de
corridas nas mãos, a Vemag simplesmente não conseguiu bater os Simca-Abarth e
Berlinettas/Alpines, e mais tarde, os Karmann-Ghia Porsche da Dacon nas corridas
de maior expressão, além de ter que lidar com carreteras e diversas Alfas da
Equipe Jolly. O capítulo DKW quase se fecha em grande estilo,
com a iminente vitória nas 1000 Milhas de 1966, na qual Jan Balder e
Emerson Fittipaldi quase vencem contra um grid cheio de papões, inclusive
diversos Alpine, KG-Porsches, Alfas importadas e a carretera de Camilo Cristófaro.
Na hora “H” o carro falhou, e a vitória acabou com Camilo/Celidôneo. (Mais
informações sobre esta corrida aqui).
Malzoni de Chico Lameirão Um
dos últimos carros com motorização DKW a correr no Brasil até recentemente:
o protótipo bi-motor de Cascavel, com motor DKW na frente e VW atrás. 1971 O amor
pelos DKW permanece até hoje, e os carrinhos voltaram para Interlagos, quase 40
anos depois da sua produção ser interrompida no Brasil. O DKW é um dos mais
populares carros do Campeonato de Autos Antigos em SP (ver
aqui), e também foi assunto do primeiro site brasileiro especializado em
uma marca antiga Clique aqui. Sem dúvida,
a coragem e persistência dos DKWmaníacos rendeu muitos dividendos duradouros,
algo que a fábrica da Vemag pouco gerou durante sua breve existência.
DKW nas pistas nos anos 2000. Flavio Gomes e sua carretera PARA MAIS ARTIGOS DE AUTOMOBILISMO BRASILEIRO, CLIQUE AQUI Back to Brazilian Yellow Pages |
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