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VOANDO
A 180 POR HORA NO PARANÁ Por Carlos de Paula Você pode imaginar uma
corrida brasileira, ganha por um carro com 1600cc, a uma média de velocidade
superior a 180 km/h, há quase quarenta anos atrás? E ainda por cima em uma
prova disputada por diversos carros com o triplo da cilindrada (e dobro da potência)
do carro vencedor)? Não é imaginação
minha. Isto realmente aconteceu, quando Ubaldo César Lolli ganhou a corrida na
Rodovia do Xisto, também conhecida como Prêmio Paulo Pimentel, em 1968. Para
crédito de Lolli, a corrida foi disputada contra diversas carreteras,
inclusive a famosa n°18 de Camilo Christofaro, e os exemplares de Ângelo Cunha e Catharino
Andreatta. Além disso, também disputaram a corrida dois Protótipos Mark I da
Ford, com Luis Pereira Bueno e Bird Clemente,e o Fitti-Porsche, com Emerson
Fittipaldi na direção. O carro usado por Lolli
foi a Alfa Romeo GTA número 23, da Equipe
Jolly. O carro, segundo informei acima, tinha somente 1,6 litro de
cilindrada, ao passo que as diversas carreteras presentes contavam com até 5
litros. A n°
18 de Camilo Christófaro
era equipada com motor Chevrolet Corvette, a carretera do piloto local Ângelo
Cunha era equipada com motor Ford F-600, e a de Catharino Andretta, com motor
Ford Edelbrock. Isso é um detalhe muito
importante. Em 1968, as carreteras já eram consideradas ultrapassadas em
corridas de autódromo e circuitos de rua, pois tinham suspensões antiquadas,
eram pesadas, e tinham dificuldades nas curvas fechadas. Nas retas, entretanto,
os motorzões faziam uma grande diferença. Freqüentemente via-se duelos
interessantes em Interlagos, com as carreteras abrindo grandes diferenças
contra pequenos DKW e Renault
1093 nas retas, com os carrinhos ganhando terreno no miolo. O feito de Lolli é
importante por que a corrida do Rodovia do Xisto foi uma das últimas no Brasil a
favorecer as carreteras. Por ser uma prova de estrada, o trajeto continha
mais retas do que curvas, apesar de um pequeno trecho mais sinuoso, depois da
cidade de Lapa. A corrida se realizou em
um trecho de 142 km, entre a capital de Curitiba e a cidade de São Mateus do
Sul, com ida e volta. A concorrência era forte. Além dos protótipos e
carreteras mencionados acima, estavam concorrendo alguns JK,
inclusive um exemplar conduzido por Jayme Silva e Simcas,
alem de outras carreteras. Ao todo, 36 carros partiram
de Curitiba. Lolli começou em
desvantagem, largando no pelotão de trás. O próprio governador homenageado
deu a partida da prova, no km 4 da estrada. Emerson Fittipaldi largou na frente
seguido dos Protótipos Mark I, de Camillo e Andreatta. Mas Ubaldo estava com
tudo, naquele dia, e logo se aproximava dos líderes. Angelo
Cunha, com Carretera Ford, foi o Paranaense melhor colocado, chegando em 3o. Justiça seja feita, o
carro mais rápido naquele dia era o Fitti-Porsche, com Emerson, mas
simplesmente não era o dia do “Emmo”. Ao todo, o carro teve quatro pneus
nacionais dechapados, eventualmente levando ao abandono. Com a primeira parada
de Emerson para troca de pneu, Luizinho assumiu a ponta, seguido de Bird e
Camilo, que batalharam de forma feroz durante 30 km. Bird acabou saindo da pista,
fazendo um raro erro. Mas a GTA assumiu a
ponta logo na primeira etapa, embora seguida de perto pelo Mark I de Luizinho.
Os carros chegaram na seguinte ordem, em São Mateus do Sul:
Ubaldo-Luizinho-Camilo-Bird-Angelo Cunha e Andreatta. A prova teve excelente
organização, com horários cumpridos, segurança para os pilotos e para o público
de mais de 100.000 pessoas. A volta para Curitiba se iniciou às 4 da tarde, e
as posições permaneceram quase inalteradas, com o abandono de Bird e Emerson.
Jayme Silva conseguira atingir a sexta colocação, com um FNM do Grupo 5, assim
ganhando a categoria. FNM 81 ganhou o Grupo 5, com Jayme Silva Lolli cumpriu o trajeto
em 1h29m13s, atingindo a média de 181,58 km/h. Essa seria uma das últimas
corridas de estrada no Brasil. Após a “Rodovia do Xisto” ocorreriam mais
algumas provas no Rio Grande do Sul, em 1968 e 1969, sendo o Circuito Encosta da
Serra a última corrida da modalidade no Brasil. Adivinhem quem ganhou esta
prova? A mesma Alfa-Romeo GTA 23, com o gaúcho Rafaelle Rosito! |
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